
Lagostas: fervidas vivas, agora legalmente reconhecidas como seres sencientes
Senciência
As provas já não são discutíveis
As lagostas são animais extraordinários. Podem viver mais de um século, se orientar pelo campo magnético terrestre, se comunicar por meio de sinais químicos liberados por glândulas sob os olhos e migrar sazonalmente em longas 'filas indianas' pelo fundo do mar.
Após uma revisão histórica feita em 2021 pela London School of Economics com mais de 300 estudos científicos, a Lei de Bem-Estar Animal (Senciência) do Reino Unido de 2022 reconheceu formalmente os crustáceos decápodes — lagostas, caranguejos, camarões — como seres sencientes capazes de sentir dor.
Apesar disso, a forma mais comum de matar lagostas no mundo todo continua sendo mergulhá-las em água fervente enquanto estão vivas e conscientes. Medições de EEG mostram atividade neural compatível com dor durante os 130 segundos posteriores à imersão.
A escala dessa indústria é fácil de subestimar. Todo ano são mortos para consumo mais de 400 bilhões de crustáceos decápodes — lagostas, caranguejos, camarões e lagostins —, mais do que todos os animais terrestres juntos. Quase nenhum é protegido por legislação de bem-estar no momento do abate.
Cadeia de suprimento
Meses em um tanque antes de chegar à cozinha
A maioria das lagostas passa semanas ou meses em tanques de armazenamento em restaurantes ou supermercados, com as pinças presas por elásticos, em condições que nada têm a ver com seu ambiente natural. A mortalidade no transporte e armazenamento é alta; as sobreviventes mostram estresse visível.
A aquicultura de caranguejos e camarões (especialmente a indústria do camarão tropical) traz custos ecológicos adicionais: destruição de manguezais, efluentes carregados de antibióticos e graves abusos trabalhistas, incluindo escravidão moderna documentada.
A Environmental Justice Foundation, a Associated Press e o The Guardian documentaram trabalho forçado, trabalho infantil e abusos violentos a bordo de barcos camaroneiros e em plantas de descasque na Tailândia, Bangladesh e Índia, origem de boa parte do camarão nos supermercados ocidentais.
Não precisamos de novos argumentos para agir de outra forma. Precisamos de novos hábitos padrão.
Aquicultura de camarão
Manguezais, antibióticos e vazamentos
As fazendas de camarão destruíram entre 35% e 40% dos manguezais do mundo desde 1980 (FAO), eliminando um dos ecossistemas com maior densidade de carbono do planeta e a barreira costeira que protege comunidades tropicais de tempestades e da elevação do nível do mar.
As fêmeas reprodutoras de camarão passam rotineiramente pela ablação do pedúnculo ocular — o pedúnculo é esmagado ou cortado para forçar a reprodução —, uma prática condenada por todos os órgãos de bem-estar que a revisaram e que, ainda assim, continua sendo padrão em toda a indústria.
Alternativas
O mercado de frutos do mar vegetal se atualizou
Marcas como Konscious Foods, Good Catch, BeLeaf e muitos produtores independentes já fabricam produtos convincentes de 'lagosta', 'bolinho de caranguejo' e 'camarão' à base de plantas, usando konjac, algas e proteína de ervilha.
Para cozinhar em casa, os corações de palmito e o cogumelo-cardo conseguem texturas surpreendentes de 'caranguejo' e 'lagosta' quando desfiados, temperados com Old Bay ou algas, e incorporados a rolinhos ou bisques.
Produtos de camarão obtidos por fermentação de precisão e cultivo celular de empresas como a Shiok Meats avançam rumo ao lançamento comercial, com o objetivo de eliminar por completo a destruição de manguezais e os abusos trabalhistas da cadeia de suprimento.
Lagostas e crustáceos
Key takeaways
A senciência é ciência consolidada
Revisões por pares e legislações nacionais já concordam: lagostas, caranguejos e camarões sentem dor. A pergunta que resta é o que fazemos a respeito.
A escala ofusca a dos animais terrestres
Todo ano são mortos mais decápodes do que todos os animais terrestres de granja juntos, e quase nenhum é coberto por normas de bem-estar.
A aquicultura não é neutra
A carcinicultura tropical destrói manguezais, impulsiona a resistência a antibióticos e está repetidamente ligada ao trabalho forçado.
Substituir é fácil
Konjac, coração de palmito, cogumelo-cardo e camarão de proteína de ervilha já funcionam em qualquer receita clássica: rolinhos, bisques, curries, coquetéis.
Lagostas e crustáceos
Experimente uma semana sem produtos de origem animal.
A escala dessa indústria é fácil de subestimar. Todo ano são mortos para consumo mais de 400 bilhões de crustáceos decápodes — lagostas, caranguejos, camarões e lagostins —, mais do que todos os animais terrestres juntos. Quase nenhum é protegido por legislação de bem-estar no momento do abate.
Sources & further reading
- LSE 'Review of the Evidence of Sentience in Cephalopod Molluscs and Decapod Crustaceans' (2021) — A revisão científica por trás da Lei de Senciência do Reino Unido.
- UK Animal Welfare (Sentience) Act 2022 — Primeira legislação a reconhecer formalmente os decápodes como seres sencientes.
- Elwood & Appel, Animal Behaviour (2009) — Evidência comportamental de dor em crustáceos.
- FAO State of the World's Mangroves (2022) — Taxas de perda e causas da destruição de manguezais.
- Environmental Justice Foundation 'Slavery at Sea' (2015) — Trabalho forçado na cadeia de suprimento do camarão tailandês.
- fishcount.org.uk — Estimativas de crustáceos decápodes mortos para consumo todo ano.
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