
Vida selvagem: o que a pecuária custa à natureza
Terra
O maior uso de solo do planeta
Um estudo decisivo de Bar-On, Phillips e Milo (PNAS, 2018) constatou que, de toda a biomassa de mamíferos na Terra, 60% é gado, 36% são humanos, e apenas 4% são mamíferos selvagens. Para as aves, 70% da biomassa total é de aves de granja. A vida selvagem foi empurrada para a margem do planeta não tanto pela caça ou pela poluição, mas pela pegada agrícola da carne e dos laticínios.
A expansão do pasto, da soja para ração e do óleo de palma para gordura barata continua sendo o principal motor do desmatamento tropical, a principal causa das extinções recentes e a pressão dominante sobre os ecossistemas de água doce.
Quando falamos em sermos bons com os animais, geralmente nos referimos aos de granja. Mas a maior população de animais afetados pelo nosso sistema alimentar é a selvagem — e ela depende do espaço que deixamos para viver.
Desmatamento
Para onde vai a floresta
A Amazônia perdeu cerca de 20% de sua floresta original. Cerca de 80% dessa perda vem da pecuária direta, e a maior parte do restante é da soja — grande parte da qual é destinada ao gado, não ao consumo humano. O Cerrado, o Pantanal, a Mata Atlântica e o Grande Chaco vêm se perdendo na mesma trajetória e pelas mesmas razões.
Quando uma floresta é derrubada, cada espécie dependente — onças, preguiças, araras, macacos-prego, tamanduás — perde habitat de forma permanente. As florestas não se recuperam dentro da vida das espécies deslocadas.
Sessenta por cento dos mamíferos do planeta hoje são gado. Quatro por cento são selvagens.
Oceanos
Mares vazios, zonas mortas, habitats sufocados
A pesca industrial reestruturou os ecossistemas oceânicos globalmente: cicatrizes de arrasto, colapso de predadores (tubarões, atum, peixe-espada) e centenas de milhares de mortes anuais por captura acidental de golfinhos, tartarugas, focas e aves marinhas. Em terra, o escoamento de esterco e fertilizante para ração é a maior causa de zonas mortas costeiras — incluindo a do Golfo do México, uma zona hipóxica anual do tamanho de um país pequeno.
A conservação da vida selvagem no século 21 é, mais do que tudo, uma questão de alimentação.
Caça de predadores
As guerras de proteção do gado
O Wildlife Services, uma agência federal dos EUA, mata mais de 1,5 milhão de animais selvagens por ano — coiotes, lobos, pumas, ursos, cães-da-pradaria — em grande parte a pedido de pecuaristas que protegem vacas e ovelhas. Programas semelhantes operam na Austrália (dingos, cangurus), na África Subsaariana (leões, elefantes) e na maioria dos países europeus com lobbies pecuários ativos.
Enquanto isso, o Relatório Planeta Vivo 2024 da WWF mostrou que as populações de vertebrados selvagens caíram 73% desde 1970. Os dois fatos são o mesmo fato.
Vida selvagem
Key takeaways
A biodiversidade é uma questão de alimentação
A maior alavanca disponível para a conservação é o que os humanos escolhem comer.
O rewilding funciona rápido
As populações de aves, insetos e mamíferos se recuperam em menos de uma década após devoluções mesmo parciais de terra.
Os predadores morrem por causa da carne
Os programas de proteção do gado matam milhões de carnívoros nativos todo ano.
Os cultivos de ração impulsionam o desmatamento
A expansão da soja e do milho para o gado — não para humanos — explica a maior parte do desmatamento tropical.
Vida selvagem
Devolva à natureza sua terra — um prato de cada vez.
Quando falamos em sermos bons com os animais, geralmente nos referimos aos de granja. Mas a maior população de animais afetados pelo nosso sistema alimentar é a selvagem — e ela depende do espaço que deixamos para viver.
Sources & further reading
- Bar-On, Phillips & Milo, PNAS (2018) — Distribuição da biomassa da vida na Terra.
- Avaliação Global do IPBES (2019) — Motores da extinção de espécies.
- Relatório Planeta Vivo 2024 da WWF — 73% de declínio da fauna desde 1970.
- Poore & Nemecek, Science (2018) — Consequências da mudança de dieta no uso do solo.
- USDA APHIS — Relatórios anuais do Wildlife Services — Totais de controle de predadores.
Newsletter
One short letter. Once a month.
A handful of recipes, a story worth your time, and one thing you can do this week. Nothing else.
We never share your email. Unsubscribe in one click.